
de LAU SIQUEIRA (PB)
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Memória 1967
O SISTEMA E AS ABERTURAS REVOLUCIONÁRIAS
[Fragmento inicial]
por
MOACY CIRNE
[ in Ponto 1. Rio, dezembro de 1967 ]
As masturbações críticas dos nossos "intelectuais", defensores do sistema linear imposto pelas classes dominantes, a nada conduzem em termos criativos. Estáticos, continuam na literatura e não vêem o processo revolucionário que se opera em sua volta desde 1956. A impotência crítica diante do atual momento poético é um fato: como analisar, apresentando aberturas informacionais, SOLIDA, de Wlademir Dias Pino; os logogramas de Pedro Xisto; LUXO e o anti-ruído, de Augusto de Campos; Cr$isto é a solução e Disenfórmio, de Décio Pignatari; os poemas experimentais de Alvaro e Neide Sá; 1822, de Nei Leandro de Castro; signo, de Dailor Varela; olho, de Anchieta Fernandes - poemas que fogem completamente aos esquemas traçados pela lógica aristotélica e condicionados pela crítica impressionista (e mesmo pela crítica estruturalista voltada para a "exclusividade" literária)?
O impasse da crítica aumenta progressivamente, e ele continuará enquanto persistirem na defesa de um arsenal metodológico próprio para o julgamento de um Baudelaire ou de um Proust, mas não para a apreensão das obras vivas de nossa época. Seria o caso, por exemplo, de tentar compreender os filmes de Antonioni, Resnais, Godard ou Lester a partir da estética de Bela Balázs, de 1931, válida para as obras de Eisenstein, Pudóvkin, Dreyer, Griffith e outros, porém totalmente ineficaz para os primeiros. À nova poesia resta se impor pela quantidade, pois só assim a crítica compreenderá a sua importância e passará a participar, ela própria, das linguagens analógicas que a formam e a movimentam.
3 comentários:
Meu caro Moacy,
Parabéns pela qualidade da apresentação das postagens e pelo excelente artigo.
Forte abraço.
Moacy, estive em Natal e comprei o Almanaque do Balaio num sebo. Depois te passo o e-mail do Paulo, ele esteve aqui e conversamos bastante. Um grande abraço!
Tenho acompanhado suas postagens e seus artigos maravilhosos. Tenho aprendido bastante mestre! Um beijão.
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